Pinguim Tagarela | Cultura pop e nerd a uma tagarelice de distância! As Panteras | Mulheres podem tudo, inclusive ser espiãs - Pinguim Tagarela
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As Panteras | Mulheres podem tudo, inclusive ser espiãs

Por - 14 novembro


As Panteras não poderiam ter chegado em um melhor momento, com o crescimento explosivo do feminismo, a trama pode finalmente explorar a visão das mulheres sobre o mundo, principalmente o da espionagem. Isso feito sob a ótica de uma direção feminina, o que faz todo um diferencial para a proposta do longa-metragem, Elizabeth Banks, atua, roteiriza e ainda dirige As Panteras. Elas não são mais Charlie’s Angel, elas são donas de si mesma, tendo até mesmo as missões comandadas por uma Bosley. Essas mudanças são extremamente necessárias para a obra.

O machismo é constantemente abordado, uma vez que é algo que faz parte da nossa rotina e que levamos alguns vários anos para chegar aos processos que estamos chegando hoje, evoluindo aos poucos, poderia ser bem mais acelerado. E não é novidade para ninguém o quanto a arte tem papel importante em anunciar e repassar certos padrões, filmes do gênero espionagem estão aí para nos mostrar isso, mas tais comportamentos não se restringe a somente eles. Se te for pedido para listar filmes de espionagem que você conhece, já viu ou ouviu falar quantos deles os protagonistas são homens? E principalmente quantas personagens femininas exercem um padrão que a sociedade impôs? Quantas são hiperssexualizadas e reduzidas a apenas objeto de desejo sexual? Várias, senão todas, não é mesmo?

Filmes de espionagens não são apenas interpretados por homens, são pensados para eles, pois a arte reflete a vida e na nossa sociedade essa questão é marcante e estamos lutando para mudar isso. A importância de As Panteras não deve ser reduzida a sua qualidade ou não, precisamos olhar com outros olhos. Algo que enxergo nas críticas cinematográficas é que se fica muito preso as questões técnicas, quando o que devíamos focar é em sua mensagem, aspectos técnicos importam, mas sem história a obra não existiria. Não teríamos representações da nossa sociedade e se olharmos atentamente a cada filme, a cada livro, a cada série, que consumimos veremos um retrato da nossa sociedade e para mim isso importa bem mais do que apenas avaliar a obra como boa ou ruim e atrelar estrelas. Por isso, nossa crítica não será bem sobre a obra, mas sobre as temáticas que ela nos leva a refletir.

Logo na cena inicial temos o tom que o longa quer passar, a personagem de Kristen Stewart em um jantar, um encontro, em que mal sabe o milionário é uma das missões da espiã, Sabina abusa do quanto é subestimada por sua beleza, para enganar o homem, e diz entre uma das suas falas que mulheres são vistas apenas por seu rosto bonito e quando são vistas como feias - ou as que fogem do padrão extremamente absurdo de beleza - são como invisíveis. Além de citar que homens demoram a perceber uma mulher como uma ameaça e parte assim para uma luta impressionante. As Panteras vai retratar exatamente isso o quanto as mulheres são subestimadas e o quanto elas tem poder de ser o que quiserem, de serem protagonistas de suas próprias ações, não como mulheres perfeitas, mas simplesmente como mulheres, seres humanos. 


A partir de então passamos a conhecer a organização (inserir nome), como ela funciona, mas isso sob a ótica da novata (insira o nome) que tenta impedir que sua criação para uma empresa importante passe a ser usada como arma. E é através dela que entendemos também o quanto o ambiente corporativo é recheado de machismo e o quanto ele é presente no cotidiano das mulheres que trabalham, afinal aquele não era para ser um ambiente para elas, né? Mas, é. A maior mensagem da obra é que MULHERES PODEM TUDO, e isso começa na direção do filme. Não é novidade que As Panteras iniciou como uma série nos anos 70 e depois teve uma adaptação para o cinema nos anos 2000, mas a novidade aqui é que tinham em sua composição homens escrevendo e dirigindo a obra. Então, se olharmos, não precisa nem ser atentamente, enxergaremos closes em decotes, posições hiperssexualzidas, é inegável o avanço, haja visto que na época era inovador mulheres como espiãs, mas tinha suas falhas, assim como tem a nova versão. No entanto, tem essa incrível mudança e isso se deve a luta constante das mulheres para terem suas obras na TV, no cinema, na literatura, em todos lugares e principalmente porque em um mundo capitalista é preciso vender e tem a gente para consumir, tem a gente para comprar ainda bem.

A representação não acaba por aí, ela não é super diversa, mas é um pouco mais expandida, temos Sabina, que claramente não é hétero, e temos diversidade ética também com Naomi e sua descendência indiana e Ella como uma mulher negra. É muito mais do que vemos na cinematografia tanto cult, quanto nerd, quanto mainstream e esse avanço é um ponto a ser comemorado, mas também deixado de lado, carecemos de mais representação, principalmente de mulheres reais, como eu e você, fazendo o que a gente bem entender, sendo quem somos. 


Enfim, As Panteras tem inúmeros pontos positivos, ótimas personagens, traz um pouco mais de diversidade para um gênero dominantemente masculino, no entanto, só peca em ser expositivo demais, explica muito e mostra pouco. Mas, nada que comprometa a obra e sua mensagem. É um longa que certamente deve ser visto, principalmente se você curte ação e quer ver mulheres a exercendo. 

Tagarelem conosco: Vocês tem assistido a filmes dirigido por mulheres? Conhecem o projeto 52 films by woman? Irão conhecer as novas panteras?

Até a próxima tagarelice e lembrem-se de que mulheres podem fazer o que bem entender!

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1 Tagarelices

  1. Gente do céu, eu estou DOIDA pra assistir esse novo As Panteras! No início da década de 2000 eu adorava essa última versão lançada, mas os tempos mudam e olhares também, né? Não quero mais ver espiãs usando os peitos pra conseguir trabalhar, muito gostoso saber que saiu essa nova pra "corrigir" isso e trazer um olhar realmente feminino da coisa. A escolha das atrizes foi MARAVILHOSA, as três são incríveis. Ah, nem, essa resenha me deixou ainda mais curiosa!

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