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Mentes Sombrias | É um convite aos jovens a se engajar em questões sociais

Por - 15 agosto


Baseado em um livro homônimo, que faz parte de uma trilogia, da escritora Alexandra Bracken, Mentes Sombrias é a mistura de distopia e drama cujo público alvo é o infanto-juvenil. O longa é dirigido por Jennifer Yuh Nelson (Kung Fu Panda 2), uma mulher sul-coreana que traz em seu elenco uma representatividade maior do que estamos acostumados no cenário cinematográfico: uma garota negra como protagonista - Ruby, no grupo de amigos principais, encontramos mais um personagem negro (Bolota) e uma menina asiática, a Zu.

Sinopse:

Em um mundo apocalíptico, onde uma pandemia mata a maioria das crianças e adolescentes da América, alguns sobreviventes desenvolvem poderes sobrenaturais. Eles então são tirados pelo governo de suas famílias e enviados para campos de custódia. Ruby (Amandla Stenberg), uma das sobreviventes, consegue escapar com outras crianças e sua vida muda para sempre.

Com a instabilidade política em que vivemos tanto no Brasil, quanto na potência mundial - os Eua -, Mentes Sombrias revela a importância da sua mensagem. A distopia retrata assuntos de extrema relevância, como segregação, elemento do qual tem estado presente em nossa realidade e que tapamos os olhos para não ver e se você acredita que tal coisa é inverossímil basta relembrar que Trump prendeu imigrantes mexicanos e o pior de tudo separou as crianças dos seus pais e responsáveis. Tudo proveniente do preconceito, pode-se querer denominar e justicar os atos do presidente de várias formas, mas nenhuma vai conseguir tapar o que de fato é um preconceito explícito, uma xenofobia. Então, quando assistirmos a cena do que se remete a um campo de concentração, onde as crianças estão presas, lembrem-se de que muito tem a ver com a nossa horrorosa realidade.


O filme durante sua uma hora e quarenta e cinco minutos de duração tenta nos mostrar que crianças são crianças, jovens são jovens, ou seja, que precisamos olhar para os seres humanos como eles são seres humanos, que carregam sonhos, sentimentos e que são sobretudo pessoas que sofrem. O lugar de uma criança é num ambiente acolhedor para que possam crescer e se conhecer, o lugar delas é na infância, é tendo esse momento, esse processo importante na etapa do crescimento. O que não ocorre em Mentes Sombrias, pois o governo unido a população, esquece de olhar para eles como, de fato, são: crianças. Passam a enxergá-los como uma ameaça, como algo hostil, lhes roubando toda infância e juventude da qual tinham direito. Cortando a liberdade. Em determinado momento, somos apresentados a uma cena em que eles, de fato, tem o momento de ser criança/jovem quando vão arrecadar suplementos em um shopping, um dos únicos momentos em que esquecem que correm perigo e apenas se divertem.

Em meio a tudo isso, vem a mensagem que tanto a diretora quanto a escritora querem nos passar, que quase chega a soar como um pedido: os jovens precisam se mobilizar, estar engajados em questões sociais, ser participantes, pois é no presente de hoje que se constroi o futuro de amanhã. Pode parecer bem clichê, no entanto, ainda é necessário reforçar isso em nossa juventude, ainda mais quando são bombardeados com um monte de absurdos na internet, em casa, na escola. A gente precisa reforçar isso, mesmo que talvez tenhamos que recorrer a certos clichês, estamos conversando com adolescentes e crianças e para que isso se torne eficaz precisamos utilizar a linguagem deles, fazer com que se identifiquem com personagens que passam pelo mesmo que eles. Talvez por isso que muitos dos adultos que assistirem ao longa vão escrachar o mesmo, dizer que já viu essas mesmas coisas em tanto outros filmes do gênero, não o achar tão bom e tá tudo bem, mas tenha em mente que talvez a proposta do longa não seja bem para você. 


Ao final de Mentes Sombrias a sensação que fica é de um convite aos próprios espectadores que se unam, que resistam, que abracem o diferente, que busque mais diversidade. Mais especificamente direcionado aos mais jovens que são o nosso futuro.

Outro grande ponto que gostaria de ressaltar é o protagonismo feminino, sobretudo negro, uma vez que não o vemos por aí, eu diria não vemos no gênero distópico, mas a verdade é que quase não vemos em gênero algum. Algo interessante é que a personagem principal não fica reduzida ao preconceito racial e escravidão, assunto do qual ainda precisamos falar, discutir e não esquecer, mas que muitas vezes acaba sendo a única representação dada aos negros, representatividade é pedida justamente para ser mais realista e inclusiva, o racismo é sim algo muito presente na vida das pessoas negras, mas não deve ser a única representação dos mesmos, deve-se ter personagens das mais diversas personalidades, com os mais diversos conflitos, com diversos sonhos, sentimentos, dilemas, pois é isso o que significa representatividade e é isso que acontece em Mentes Sombrias. Temos Bolota, interpretado por Skylan Brooks (conhecido por ser Ra-Ra em The Get Down), que é do grupo verde, ou seja, sua habilidade é uma superinteligência. Ao longo do filme vemos o quanto ele é engraçado e divertido, muitas vezes, senão em todas, nos identificamos com seu humor e sua forma de pensar. Inclusive, ele é o primeiro a perceber quando as coisas são sinistras, se preocupa com seus amigos e faz o que considera necessário. Tem seus medos e eles são justificados e reais. 


O mesmo acontece com a Ruby, mesmo tendo um par romântico, isso não a rebaixa, ela em nenhum momento fica a sombra dele, pelo contrário, Ruby é uma das que mais toma a frente e protege seus amigos, que considera sua família, faz o que considera necessário assim como Bolota, mesmo que isso seja algo doloroso, toma suas próprias decisões. Em determinado, é revelado que sofre algumas coisas por ser mulher, mas também não é o foco de sua narrativa, ela se mostra uma garota que possui amor próprio, não se inferioriza e não se deixa inferiorizar, gosta de quem é e vive com as consequências de suas decisões. Enfim, Ruby escolhe seu próprio destino, trilha seu próprio caminho e tanto ela quanto Bolota trazem uma representatividade importante e necessária.

Além de falar sobre segregação, perseguição e preconceito, o longa aborda também assuntos mais belos que surgem disso, nos mostrando que isso também é uma forma de resistir. No meio de todo esse cenário horrendo, vemos nascer uma linda amizade, que se transforma em uma família, justamente servindo de contraponto a todos que acreditam que família se resume a laço sanguíneo, quando na verdade se resume a sentimento, a amor, a união.


Quanto a questões técnicas temos uma ótima trilha sonora que embala os momentos emocionantes e até mesmo os eletrizantes. As sequências de ação são muito bem executadas, assim como os efeitos especiais, que se revelaram uma grande surpresa, por não parecerem fakes, tornando-os mais realistas. A fotografia é linda, sobretudo quando na floresta, em momentos frios, revela hostilidade com tons acizentados e em momentos de segurança e conforto, apresenta tons quentes e alaranjados. A direção faz bom uso da câmera para nos dar a dimensão da decadência daquele mundo e nos momentos emocionantes se revela essencial e bonita. As atuações são ótimas, sendo a Amandla o grande destaque nos dando a dimensão do peso, da esperança que carrega consigo, toda personalidade forte de sua personagem é representada em sua figura, em seus trejeitos, em suas expressões e modo de falar. 

O único ponto negativo é o roteiro que em alguns momentos se mostra apressado ao introduzir personagens e o cenário, podendo ter trazido maiores explicações para perguntas que permeiam nossa mente depois de assistir. Alguns personagens deveriam ter sido melhor aprofundados, principalmente, o vilão “principal”, cujo sua motivação ficou meio nublada. No entanto, há uma dificuldade no geral em realizar adaptações de livros e lidar com o tanto de informações que o material original propõe. 

Enfim, Mentes Sombrias entrega até que uma boa introdução, que precisará de melhor desenvolvimentos em suas sequências, uma vez que o final deixado em aberto nos revela uma possível continuação e levando em conta que o livro faz parte de uma trilogia, podemos deduzir isso. O filme se revela importante por abordar questões sociais atuais para um público que necessita estar engajado. Para os amantes de distopia e de sentidos não-convencionais para família, Mentes Sombrias se mostra a pedida perfeira. Que a revolução comece!

Portanto, o longa recebe:



(3 de 4 pinguinzinhos)

Tagarelem comigo: Vocês também adoram uma distopia? Acham importante a participação de jovens em questões sociais? Vão ao cinema preparados para a revolução?

Mentes Sombrias estreia dia 16 de Agosto.

Até a próxima tagarelice e lembrem-se a revolução está apenas começando!

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1 Tagarelices

  1. Eu tinha visto o trailer desse filme no YouTube e fiquei bem curiosa. A premissa está bem do jeitinho que eu costumo gostar, com ação, aventura, perseguição, poeres... Só o que complica de eu assistir agora é que não li o livro e, na verdade, nem sabia da existência dele hehe :p

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