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Tudo que Quero | Autismo, Star Trek e a trajetória de autoconhecimento

Por - 02 maio


Tudo que quero é um filme do gênero drama, que foca na vida  cotidiana da Wendy (Dakota Fanning), uma autista fissurada pela escrita e especialmente por Star Trek. Tudo desse grande clássico da cultura pop versa sobre a personagem e sua identificação com Spock é fortíssima. O que acaba sendo um grande diferencial para o filme. Com 93 minutos de duração, o longa entretém ao mesmo tempo em que revela uma mensagem incrível de superação de nossas próprias limitações, seja quem for, todos possuímos nossas limitações particulares.

Sinopse:

O mundo é um lugar confuso para Wendy (Dakota Fanning), uma jovem, que apesar do autismo, é independente e brilhante. Wendy escreve histórias de fantasia em seu tempo livre. Quando ela descobre uma competição decide terminar seu roteiro e participar. Agora o problema é entregar o roteiro. Com seu pequeno cão e apenas alguns dólares no bolso, Wendy decide corajosamente ir em busca de seu sonho, embarcando numa aventura repleta de desafios e surpresas.
É uma jornada, uma trajetória de autoconhecimento, de busca por seu lugar no mundo, de independência, Wendy não vai somente atrás do seu sonho, ela sabe que possui capacidade de enfrentar o mundo, que o autismo não a impede de realizar aquilo que deseja. Escrever é algo que a personagem ama fazer, em umas de suas falas em Tudo que Quero, ela deixa isso bem claro, ao dizer que se pudesse escreveria o dia inteiro. Assim, como todos aqueles que se denominam escritores e que nutrem essa paixão por dar vida a imaginação, bem sabem como o processo de escrita não é algo fácil, então a identificação com Wendy acontece logo nos primeiros minutos, seja por aqueles que possuem a mesma condição que ela, ou por aqueles que assim como a mulher, dividem o que a escrita representa em suas vidas.

É extremamente necessário personagens no espectro autista sendo protagonistas de suas histórias e que estas não se limitem a sua condição neurológica, algo que vemos muito presente em Atypical, série inclusive que merece bem mais reconhecimento do que tem, e The Good Doctor. Tanto nessas séries, quanto no filme temos, de uma forma natural, todas as barreiras que eles encontram, mas nunca mostrando a sua limitação, nunca os reduzindo ao transtorno, são pessoas que possuem suas qualidades e seus defeitos, vemos todo seu brilhantismo, sua inteligência, do que gostam, do que não gostam, as coisas que enfrentam, mas mais especificamente mostram que são tão diferentes entre si, que é algo que precisa ser reforçado, uma vez que muito se tem uma imagem universal do transtorno e das pessoas que o possuem. No entanto, essa imagem precisa ser quebrada, pois ninguém é igual a ninguém e possuímos diferenças e particularidades, todos temos nossa própria complexidade.

Tudo que Quero | Autismo, Star Trek e a trajetória de autoconhecimento

Tudo que Quero | Autismo, Star Trek e a trajetória de autoconhecimento

A direção de Ben Lewin se mostra extremamente cuidadosa e sensível, ao nos mostrar os hábitos da personagem, ao encaixar cada elemento do cotidiano dela na narrativa para que a gente a possa conhecer melhor. Wendy usa uma cor de suéter para os dias da semana, além de mostrar o quanto aquilo é importante e característico da personagem, ainda nos situa na passagem do tempo, quando ela muda de cor é um outro dia. Como dito anteriormente, Star Trek tem seu universo inserido dentro da história, em determinado momento da narrativa percebemos o quanto o roteiro que ela cria da série clássica, se assemelha muito com aspectos da sua vida, com o que ela está passando, muitas vezes é ela mesmo se comunicando com Spock, alguém que sabe que a compreende, por assim como ele não saber expressar bem as emoções do jeito que nós estamos acostumados, pois, na verdade, ela se expressa, não é porque nos expressamos de um jeito que a forma com que Wendy se expressa no mundo é errado. O imaginário toma forma dentro da narrativa, uma vez que acompanhamos o que ela escreveu por meio de sua imaginação, os cenários e personagens de Star Trek que ela usa. Ou seja, temos acesso ao seu processo criativo.

Tudo que quero se mostra um produto de conscientização, em que podemos olhar de outra maneira para o distúrbio, conhecer as dificuldades e compreender as capacidades que essas pessoas possuem, nos revelando que cada indivíduo é único e que um transtorno não muda isso. Além disso, passamos a entender também os preconceitos sofridos por pessoas com autismo, seja na forma das pessoas tentando se aproveitar da inocência dela ou até mesmo no quanto as pessoas ignoram ela e sua situação, sem ao menos prestar ajuda mínima que seja. Wendy consegue trilhar seu caminho sozinha, só ela e Pete – seu cachorro -, como uma mulher desbravando seus medos, vencendo as dificuldades, resolvendo os problemas e não parando até chegar no seu objetivo. Sempre seguindo em frente. Isso é o que Wendy nos deixa de ensinamento. Além de nos dizer claramente que o que amamos nunca é besteira, seja algo da cultura pop ou não, se tu te identifica, se te faz se sentir melhor, então não tenha medo de expor, pois é parte de ti. No entanto, a maior mensagem que podemos receber do filme é que mesmo que a gente não alcance exatamente o que queremos, pelo menos tentamos e isso importa demais.

Tudo que Quero | Autismo, Star Trek e a trajetória de autoconhecimento

Enfim, o filme nos diverte e nos emociona, sem usar de atributos apelativos, é de forma natural. Tudo que Quero é para todos aqueles que amam referências a cultura pop, que assim como Wendy tem a sua enorme admiração por Star Trek, se identifica com Spock ou que simplesmente tem apreço por filmes que sejam ao mesmo tempo simples e complexos, na simplicidade de mostrar o cotidiano dos personagens, mas na complexidade de os desenvolver.

Então, Tudo que Quero recebe:


(3,5 de 5 Pinguinzinhos)

Tagarelem comigo, pelo o que vocês nutrem certa fissura? Do que são fãs? Tem histórias sobre coisas fictícias que os ajudaram na vida real?
O filme está em cartaz nos cinemas. Estreia aconteceu dia 26 de Abril.
Novidade: foi a primeira cabine aqui da Pinguim Tagarela, fomos conferir o filme um dia antes de sua estreia. Foi incrível, obrigada Imagem Filmes.

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Até a próxima tagarelice e lembrem-se de ter uma vida longa e prospera!

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