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Doctor Who: Twice Upon a Time | O encerramento de uma era

Por - 07 abril



Como é de costume, ao final de cada temporada, temos um especial de natal, no entanto, para Twice Upon a Time, tivemos o extra de poder assistir no cinema, a comoção toda se deu pela falta de renovação da BBC com a emissora responsável por transmitir Doctor Who no Brasil, a Syfy. O que não deixou de se transformar em algo positivo para nós, whovins. Afinal, quem não amaria ver Doctor Who no cinema, não é mesmo? Uma experiência única, sem sombras de dúvidas, com aquele clima de despedidas e emoções a flor da pele.

Sinopse:

Dois Doutores à deriva em um ambiente ártico, recusando-se a encarar a regeneração. Pessoas de vidro encantadas roubam suas vítimas do tempo, que está congelado. E um capitão da Primeira Guerra Mundial destinado a morrer no campo de batalha é retirado das trincheiras para cumprir seu papel na história do Doutor. Uma nova história emocionante sobre o poder da esperança nas horas mais sombrias da humanidade, Twice Upon a Time marca o fim de uma era. Mas assim como o Doutor deve encarar seu passado para decidir seu futuro, sua jornada está apenas começando…
Aos que tiveram o prazer de assistir no cinema, puderam presenciar antes do episódio começar um documentário mostrando o processo de criação do mesmo, todo o clima envolto nele, entrevista com elenco, produtores, showrunner, enfim, momentos de despedidas entre eles. O famoso making off, foi algo extremamente importante e bem pensado, serviu para adentrarmos naquela atmosfera de adeus, de despedida, de encerramento de um ciclo, o que ditaria todo o espírito de Twice Upon a Time. 

Lágrimas era o que sabíamos que ia ter, mas não sabíamos que viria em tanta quantidade, acredito que cada um daqueles que estavam sentados na mesma sessão compartilhavam a tristeza de ter que dizer adeus para nosso querido Capaldi, ninguém estava, de fato, preparado. Acredito que todos estávamos tentando conviver com o fato desde que ele foi anunciado. O que não tornou a tarefa de assistir a regeneração mais fácil, ela engloba várias emoções, pois um vai embora para dar espaço a outro, que no caso, é o momento de uma time lady, que é o momento tão aguardado de ver depois de 13 doctors, uma de suas regenerações surgir como uma mulher, depois de 50 e poucos anos. Então, era um misto de tristeza, de não querer deixar ir, de desapegar, com a ansiedade, o nervosismo e o desespero em ver Jodie em tela.


E, valeu todo o dinheiro gasto no ingresso, valeu todas as lágrimas, todas as risadas, pois para quem é fã, foi um momento único compartilhado por pessoas que entendem o quão importante a história é tanto no coletivo, quanto no individual. Steven Moffat, o cara que a gente meio que ama, meio que odeia, também dá adeus ao cargo de showrunner, abrindo espaço para Chubnall ocupar. Tivemos ilustres episódios sob o comando de Moffat, muito dos quais são meus preferidos, mas como tudo na vida tem, que tem seu início, tem também o seu fim. Mas, antes de partir, Twelve nos mostra o quanto ainda tem a nos ensinar, seja nos mostrando o quanto é normal evoluir, o quanto confrontar seu eu do passado é necessário, seja revelando que a humanidade não é algo exclusivo nosso, que ter compaixão, que sentir medo, amor e esperança não é apenas um feito da nossa espécie. Que viver tanto tempo, tem seu peso, que salvar inúmeras vezes o universo tem seu preço. Que ser o dito heroi, pode ser além de algo bom, um fardo. A perda não é algo que só nós conhecemos, toda espécie de certa forma, a sua maneira, passa pelo luto e com o Time Lord não seria diferente, ele vive o dilema de querer descansar por não suportar perder mais as pessoas, mas sabendo que o universo precisa demais dele.
“O velho e tolo Universo, quanto mais eu o salvo, mais ele precisa de salvamento.”
É incrível o trabalho realizado, a fotografia conversa demais com todos os aspectos que a história quer passar, em diversos momentos vemos o quanto ela faz uso de cores frias, não só nos ambientes gelados, mas para mostrar também o quanto a guerra carrega a crueldade, o quanto é desumana, o quanto é um ambiente hostil. Enquanto que em outros momentos faz uso das cores quentes para nos mostrar exatamente o contrário, seja no conforto do abraço daqueles que o doctor se importa, seja na cena final, do armistício, revelando o quanto no meio de toda aquela frieza ainda existe bondade, existe humanidade. Inclusive, a escolha central da trama merece seus parabéns, não poderia ter sido melhor representado o espírito natalino do que A trégua do natal de 1941, durante a primeira guerra mundial. É de uma sensibilidade espetacular toda essa cena, emoção não fica presa no peito, a gente chora mesmo, porque é lindo de se ver.
“A guerra é um inferno, não é?”
Ainda abordando a questão fotográfica, a iluminação é muito bem colocada em tela, principalmente na cena da Câmera dos Mortos, onde no alto da escada sai uma luz extremamente potente, enquanto os doctors estão ao pé dela, podemos ver a exata impressão que a cena quer passar, de uma superioridade, de algo divino, de algo poderoso.




Algo muito valioso dentro do episódio é justamente retratar essa crueldade da guerra, ao mostrar a perspectiva dos soldados, o quanto muitos deles estão lá apenas para cumprir um papel imposto pelo seu país, que muitas vezes, é de interesse de outro. O quanto o medo predomina aquela atmosfera, o quanto muitos deles não queriam estar ali tendo que matar uns aos outros. O diálogo inicial dos soldados inimigos, em uma trincheira, demonstra muito bem isso, o quanto a dificuldade em se comunicar, em falar a mesma língua, os impede de perceber que ambos estão aterrorizados, pensando em puxar o gatilho só para se defender, para não morrer. O que é extremamente triste e de uma enorme crueldade, pois vemos apenas dois seres humanos, ambos sofrendo o mesmo destino.
Não importa o quanto sabemos que vamos morrer, nós nunca estamos prontos para encarar a morte, nunca preparados para morrer.

Twice upon a time conversa bastante conosco, whovians, não importa por quantas regenerações tivemos que passar, por quantas presenciamos todas essas temporadas, quando o momento chega não estamos preparados, nem nunca estaremos, pois assim como o soldado não estava em paz com ter que deixar aqueles que ama, nós também não estamos. Talvez, seja uma própria forma do Moffat dizer o quão difícil é para ele sair de Doctor Who. 
“Sabe qual a pior coisa em conhecer você? Deixar você partir.”
A escolha de inserir o primeiro doctor com o twelve foi bem acertada, trouxe um divertimento para o episódio, além de formar uma bela dinâmica. No entanto, o mais louvável é a homenagem que veio a partir disso, como uma forma de celebrar o começo de tudo e nos mostrar o quanto Doctor Who está longe de acabar, um ciclo se encerrou, mas vem muito mais por aí. Ao relembrar as regenerações passadas e seus momentos marcantes foi também uma forma de celebrar o que a série representa, se tornou característico isso nos especiais, como uma maneira de presentear aqueles que colocam a série no ar, nós, de celebrar aqueles que compõe e fazem com paixão a série, a equipe. Uma forma de celebrar a grandiosidade de Doctor Who, que é muito mais do que apenas um seriado, mas uma parte tão importante em nossas vidas.




E, claro, usando muita referência para isso.

A despedida alcança também a nossa Bill, que confesso não me conformo com sua saída recente, poderia ter durado mais uma temporada, sentiremos falta das suas respostas afiadas em momentos cruciais, de encarar o preconceito de frente, de não se calar. De ter trazido uma enorme representatividade ao ser uma mulher negra e lésbica. Sentiremos falta da dinâmica do twelve com ela, que era incrível e continuou sendo até a despedida final dos dois. Sentiremos falta da incrível personalidade e inteligência da Companion, pois ela agregou muito, não só para a série, mas para cada um de nós. Bill sempre terá um enorme espaço no nosso coração. A narrativa encerra atiçando nossa curiosidade e ansiedade de ver Jodie como Thirtheen, de a ver em ação. Brincando com nosso desespero por esse momento tão aguardado, nos dando aquele gostinho maravilhoso de a ver em cena. Com uma frase, ela já arrebatou nosso coração: “Oh, Brilliant!” Bem vinda, Time Lady <3 p="">

Enfim, Twice upon a time é acima de tudo, um episódio de despedidas, de desfechos, de encerramento de uma era, uma maravilhosa, a propósito, no entanto, é também um episódio que através do Capaldi nos mostra que precisamos seguir em frente, é necessário, é crucial. Que venha um novo ciclo, the future is female, o doctor disse e acertou em cheio, é a nossa vez, o nosso momento. Doctor Who nunca falha em nos emocionar.

Sem dúvidas, Once upon a time, recebe:


(5 de 5 pinguinzinhos)

Deixo vocês com o incrível discurso do Capaldi para nossa nova doctor, podem chorar: “Espere um instante, doctor. Vamos fazer isso certo. Tenho algumas coisas para dizer a você. Primeiro as coisas básicas. Nunca seja cruel, nunca seja covarde... E nunca, jamais, coma peras! Lembre-se... Odiar é sempre tolice... E amar é sempre sábio. Sempre tente ser legal, mas nunca deixe de ser gentil. E não deve dizer seu nome a qualquer um. Ninguém entenderia mesmo. Exceto... Exceto as crianças. As crianças podem ouvir , às vezes, se o coração delas estiverem no lugar certo... e as estrelas também estiverem. As crianças podem ouvir o seu nome. Porém, ninguém mais. Ninguém mais, jamais. Ria muito... Corra rápido... Seja gentil. Doctor, eu liberto você!”




Tagarelem comigo, me contem o que vocês sentiram, qual foi a sensação de ver no cinema? Choraram e riram? Se assistiu, mas não viu no cinema, me diz, o que achou?

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Até a próxima tagarelice e lembrem-se todo mundo é importante para alguém, em algum lugar.”
- Doctor

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3 Tagarelices

  1. "Doctor Who nunca falha em nos emocionar." Verdade, eu estou chorando aqui só de ler esse texto, não dá para segurar as lagrimas com esse discurso final do twelve :')
    Então eu assisti esse especial em casa mesmo, acho que nem chegou a passar no cinema da minha cidade. Assistir em casa não é tão bom quanto no cinema é claro mas ainda assim foi incrível assistir Twice Upon a Time, eu estava com muita expectativa e o episódio não me decepcionou em nada. Vou sentir muita falta do twelve e da Bill que se tornaram meu Doctor e companion favoritos ♥♥
    E o que dizer da nova Doctor que eu mal conheço e já considero pacas?

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    Respostas
    1. Guria, se eu te contar que quase chorei enquanto escrevia esse texto, foi muita emoção. Um dos melhores discursos de DW. Que pena que não passou na sua cidade, teria sido incrível, mas esse episódio é maravilhoso independente de onde e quando se assiste <3

      Bill deixa um enorme vazio :'(
      Jodie já chegou arrasando com a gente

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  2. Oi Diovana, tudo bem? Então, vim parar no post pelo grupo de united sem saber direito sobre o que se tratava, porque sabia já ter escutado Doctor Who em algum lugar haha E preciso dizer que esse resenha - posso chamar assim?- me emocionou mesmo nunca tendo assistido a série. Que agora - é claro - quero MUITO assistir! Cada linha é carregada de sentimento e deu pra ver o quanto você é fã.

    Beijão e sucesso

    www.itskimby.com

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